Karmarxismo. O Marxismo do Karma. Disciplina e Libertação. Não um tipo ensimesmado, subserviente, pasteurizado. O filho pródigo, uir-se ao lar paterno. Happy end? A prática é minuciosa e repleta de não-saberes. A unidade é fundamental, desde que não anula um conflito que quebra a própria unidade. O fim aguarda a todos e admiti-lo não significa deixar de lutar, que fuja a própria rebelação. As posturas carregam acrobacias, mas que de certa forma se dissolvem em autoconhecimento que conserva as forças. Não as apaga. O ritmo de produção acha sempre novas maneiras, mas a luta social é evidente. Urge-se uma canalização de forças que, assim, valida socialmente a prática individual. Se o yoga do marxismo é a dialética, só se pode conceber o marxismo do Yoga como o despertar do Kundalini. Canalizar a força. Agora tem o do outro tipo. O das revistas de consumo, da classe média mais descolada, dos anos setenta, que ainda carrega um sotaque modernizado em workshops, gurus e viagens ao...
Não sei se sei nadar. Já brinquei que nadava em banheiras que se pareciam piscinas. Depois fui me arriscando mais ou fingia que nadava. Sempre quis saber nadar. Enfrentei redemoinhos de vento bem maiores do que achei que meu pulmão suportaria. Tentei algumas vezes, mas parecia que ainda não queria despregar os pés para mais fundo. Eu não sabia se sabia nadar. Então fui passando, um dia achei que saber nadar era só nadar, que não era tão difícil, nem perigoso. Enganei-me sem saber se era medo de morrer ou de não saber nadar. Mas quero nadar. Hoje ainda quero nadar. A água filtrada me chama, perco. Também continuo perdendo para a correnteza. O frio ainda marca a espinha e a epiderme dolorida de outrora. Náufragos não acreditam em águas mansas. Mas o mar não ensina, insinua. Nadar à favor da maré baixa antes do preamar.