Sebastião. Ou Bastião quando sua mulher o chamava. Ou apenas "fio" por todos, desde os pescadores que ali, onde fora o epicentro da minha adolescência, na sua casa-conjunta a um bar, padaria, pastelaria, lugar de primeiras aventuras quando reuniam os filhos e filhas da pequena vizinhança.
Sendo um santista que viu deus jogar e, portanto, nunca vai acreditar em doutrina, me fez reforçar meu ânimo alvinegro rival. Nunca quis nos doutrinar para sua caminhada quase solitária, com exceção de seu filho mais velho nome de um dos maiores daquela Alemanha de 74, gostava de estar assim e foi muito feliz, se me permite daí, vendo o time campeão em 58, e aquela Copa do Brasil de 2010, Neymar e Ganso, aquilo era uma época boa! Ah, meu amigo, sinto que me tornei um saudosista e que bom que muito parecido com você. Aquela, a de há até poucos dias atrás, de "Quanto que foi o curintia?" Eu provocava "E o Santos, fio? Caiu ou não cai?" E baixava os olhos, saboreando a espera de sua resposta: "Ih, corintiano, aquilo lá ó" e dava um sopro olhando para o lado não se sabe ironizando ou se o pavio estava prestes a estourar.
Lembra do campinho ali perto da mina, de quando reuníamos o maior número de tipos sociais que iam desde crianças de 3 anos a homens de 64 anos em uma grande partida com o sol marcando a hora de acabar e que com duas enormes estruturas me permitiu ser um grande artilheiro e comemorar com a minha camisa do Ronaldo. Minha memória não permite que eu me lembre de tantas coisas assim, mas lembra da foto que você me mostrou ano passado? Eu estava passando apressado e ele provavelmente encostado na entrada do portão e prestes a darmos um cumprimento subvertido em comentário dos nossos times, ele pulou num sobressalto. "Corintiano, espera aí um pouquinho". Eu sorri e não tive tempo de responder, pois ele mesmo em idade avançada, correu [!] para dentro de casa e num lapso de volta estava ao local com um quadrado de papel nas mãos como uma criança que guarda a primeira concha que tocou ao pisar na areia.
Era uma foto da nossa turma do campinho. Ele estava tão feliz por falar naqueles tempos e aquilo como no Click me fez voltar, sim, para um lugar que não existe e então vi todos aqueles que agora se uniam em outras conexões e, isso era a vida, mas com ele não, ele sempre mantinha a curiosidade de saber de alguém não importa se você ficou 10 anos fora ou se passou sem cumprimentá-lo por alguma razão fútil. Vendo que eu fiquei paralisado com a foto, ele me disse, "Leva pra casa e mostra lá pros seus avós, eles vão gostar. Mas me devolve, hein? Essa recordação é minha." Pode ter certeza que a recordação é nossa, fio, nossa, mas eu preferiria que fosse só sua para eu poder chamá-lo sempre que quisesse ver.
O pequeno bairro será infinitamente menor sem a sua presença.
Where did you go Fez'?
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