Não sei, tô pensando em fumar um baseado pra começar bem o dia, acabei de fazer yoga, beijei meu cachorro, escrevi a parte que faltava do artigo... Coisa boa é maconha! Imagina morar na Califórnia, ou melhor, trazer algumas sementes pra cá, comprar o terreno mais alto da Toca, fazer uma casa lá, colocar a planta na terra, aproveitar as pirâmides arredondadas que nos circundam. Não, na verdade eu preciso é [pausa pra um trago] parar de fumar [outro trago] maconha. Ah, é complicado, acho que me deixa muito lesado e acaba por dificultar eu seguir minha rotina, Lembra, acordar, meditar, estudar, trabalhar e no fim da noite se divertir, levando um livro para cama. É isso, na verdade, já tô pensando em tudo isso, inclusive em escrever um livro. Está tudo esquematizado, meu primeiro livro tá pronto e agora ganhou uma continuação que não se passa no mesmo universo ou retoma personagens, ao mesmo tempo que é uma resposta ao próprio autor com um desfecho totalmente diferente mas com o mesmo título enigmático, em uma palavra, que explica mas entrava, vai que pesca algum editor que se atraia pelo senso de pseudo experimentalismo barato que se converte em uma narrativa realista e linear. Mas e o segundo? Esse que vai ser um grande livro experimentalista, com capítulos em diferentes formatos de textos que não foram utilizados por Joyce. Opa, então vamos fechar o contrato dos dois. Eu assino por um cavalo manco esse contrato. Pior que nem sei ao certo do que esse segundo livro vai ser, não me apareceu nenhum personagem, as pontas estão soltas, mas sei que será um grande livro, sinto que por trás dessa escuridão haverá essa luz que fará desse, o meu segundo sem sequer ter saído o primeiro, o meu livro de mercado.
Sempre que vou pensar em escrever, venho com os mesmos assuntos e me acho chato. O autorreferencialismo é uma chatice sem tamanho, é como se alguém obrigasse a alguém ler seus problemas sem ter de pagar por isso. Olha para a minha dor! Está doendo e eu preciso que você saiba! "Tens pressa de confessar sua derrota e adiar para outro século a felicidade coletiva!" Olha aí, novamente Drummond. Já falei de Joyce de novo, só falta praguejar contra o destino amoroso ou fazer algum comentário sobre futebol. Dedalus me ajuda a sair do labirinto, eu odeio sol, me deixa vermelho!
Já que te te trouxe por aqui, Carlos, você bem que poderia me explicar porque disse que toda história é remorso? Aí fico entre, realmente, só o presente existe, nada do que aconteceu ou do que poderá vir a acontecer, existe, só o momento, nem mesmo suas imaginações, existem, mas por outro lado, Carlito, eu sou historiador, a minha profissão que estará em algum hotel que eu ficar por aí, estará, historiador, ou seja, eu trabalho com história e ainda que os Annales afirme a presentidade da História, não dá pra negar que estamos falando do que já passou em alguma instância.
Preciso beber água, não lembro do porque comecei a escrever isso.
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