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Não se mate #64

Carlos, sossegue, o amor é isso que você está vendo. Ou não mais, já passou o hoje e o amanhã e segunda ninguém sabe o que será. Beba o vinho que você não bebeu com ela, sopre a fumaça do cigarro que por muito tempo estava preso dentro da gaveta trancada de sua escrivaninha. Sua casa desarrumada ficou como os vizinhos que vigiavam enquanto vocês andavam para a sacada e gritavam gemidos para a rua. 
Ela não está mais aqui, olhe para a cama vazia e peça que o sonho venha depressa para que não chegue ao ponto de você decidir beber outra garrafa que já acabou e todos os bares fecharam pela hora tardia. Olhe para os livros, os discos perdidos, de novo para a rua quieta e escute as luzes se apagarem. Havia um pássaro azul em seu quarto que queria fugir, conseguiu. Só sobrou você e suas circunstâncias, como sempre, só vocês dois. amor cachorro bandido trem. 
Leva, leva embora todas as memórias, porque não pode restar nada sobre o lençol ainda molhado de suor. Amanhã o despertador irá tocar, haverá contas há pagar, trabalho a fazer, cachorros a lamber a mão do pedinte que só quer mais um real para a cachaça e você ainda caminhará melancólico e vertical, nunca de outra forma. Lembra da vez que você tentou se arrastar com as mãos no solo? Não, não é bem-visto, o policial riu e a velhinha que saía da novena, disse ao vento depois do sinal da cruz: "Tão jovem e já perdido nas drogas". Com tudo isso devias te precipitar para as águas verdes do oceano salgado, mas você ainda mora em Minas.  - Dorme, meu filho! 

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