2880 horas. Parece muito mas de perto é pouco tempo. E depois, o que vai acontecer? Perderei cidadania e andarei como refugiado atrás de algum lugar pra chamar de pátria. Não quero pensar em minutos. 172800. Só um minuto numa aula desinteressante ali, outros mais tantos na conversa no almoço do R.U. comendo bobagens, falando besteiras. Depois o outro dia passa e a noite ajuda a esquecer. Lembra quando a gente era jovem e invencível? A gente falava, ria, bebia, fumava, beijava, fingia, às vezes estudava mesmo, jogava, lia, dormia, ria mais um tanto, como a gente era bobo! De vez em quando a gente transava, mentia, viajava, se abraçava, emocionava, prometia que nada acabaria, que ia fazer uma tatuagem ou cheirar uma carreira na bunda de uma prostituta como naquele filme da TV. 10368000. Todos esses segundos pra dizer que a vida continua. Dizem que vou conhecer mais gente, encontrar um amor e talvez viajar pelo mundo. Que a vida é seguir em frente, e o que ficou para trás, não vale a pena ver no retrovisor. Sentir falta. Haverão outras coisas, outras pessoas, outros sentimentos, mas nunca os mesmos. Os bancos do V vão ficar lá, mas nunca vou mais voltar para ocupá-lo às 18h para ler ou espiar os outros antes da aula. Os amigos vão lembrar por um tempo das histórias, mas depois de um tempo eles também vão embora com suas histórias e haverão outros chegando no tempo cíclico, ocupando meu lugar do lado direito da sala e a casa da Dona Maria. A bomba vai explodir e agora só faltam 10367516 segundos.
A tarde estava com um sol baixo, como que silenciado parcialmente pelo barulho das nuvens que anunciavam as chuvas derradeiras da estação. O som ao redor, por toda a parte. Conversas, vozes, pastilhas de freio, buzinas, aviões. Do que é feito a conclusão? Assim existem sempre um saber que está aí, mas parece que sempre um passo adiante. Corra! O motorista abriu a porta e deixou que o sacolejar guiasse os primeiros passos se pendulando por entre o corredor estreito. Estava ali. Não era uma vaga na janela, mas pelo menos poderia observar de esguelha as montanhas de construções de prédios residenciais, santuários católicos e aglomerados de cômodos pequenos. A senhora, resignada, olhava para a janela e não percebeu que uma borboleta entrou pela estação e girou, girou até repousar sobre a manga da blusa fina que ela carregava sobre os braços. E a viagem seguiu, atravessou e seguiu. Mas a senhora olhou para o braço e começou a dar alguns tapas na borboleta que só sabia pular, como que s...
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