Maldito Walter Benjamim! A culpa é sua e toda sua. Eu deveria era ter faltado a aula e ido assistir a tragédia ludopédica em zero a zero entre Paraguai e Catar ou ido para o prédio aglomerado de estranhos para cheirar fumaça com bala de menta e beber uma, duas, três, quantas cervejas forem para acabar com o tédio de uma noite, não precisa lembrar que eu não bebo, tá? Mas, não. Fui a aula como um bom samaritano e aí misturei ciência com metafísica. Achei que devia não ouvir o poeta por um tempo e dar uma chance para o academicismo explicar as relações humanas. Traí a literatura buscando a experiência no outro que não veio. Que só quis rir um pouco e passar uma tarde de céu amarrado ao lado de alguém. Enquanto minha mente foi entrando em caminhos que deveria esquivar, mas caí. No lamaçal eu estava quando me dei conta, é frio e silencioso do jeito que alguém um dia me disse. E agora? Você sumiu, encontrou outro alguém, casou, teve filhos, o riso acabou, a noite apagou, o barco partiu, você sumiu, você sumiu. Não, você continua lá com os mesmo vinte e poucos anos e alma sonhadora, eu é que deixei de existir. Como diz o autor, se não der amor, poesia à deus-dará. Não? Tem certeza que ninguém disse isso?
A tarde estava com um sol baixo, como que silenciado parcialmente pelo barulho das nuvens que anunciavam as chuvas derradeiras da estação. O som ao redor, por toda a parte. Conversas, vozes, pastilhas de freio, buzinas, aviões. Do que é feito a conclusão? Assim existem sempre um saber que está aí, mas parece que sempre um passo adiante. Corra! O motorista abriu a porta e deixou que o sacolejar guiasse os primeiros passos se pendulando por entre o corredor estreito. Estava ali. Não era uma vaga na janela, mas pelo menos poderia observar de esguelha as montanhas de construções de prédios residenciais, santuários católicos e aglomerados de cômodos pequenos. A senhora, resignada, olhava para a janela e não percebeu que uma borboleta entrou pela estação e girou, girou até repousar sobre a manga da blusa fina que ela carregava sobre os braços. E a viagem seguiu, atravessou e seguiu. Mas a senhora olhou para o braço e começou a dar alguns tapas na borboleta que só sabia pular, como que s...
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