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Whiskey in Jazz #38

O que estou fazendo aqui? Olha… eu vim aqui para fazer, talvez, não, não, ora não me lembro,  porque acha que eu deveria me lembrar? Por algum acaso você nunca saiu de sua casa em uma noite e sentou-se no bar e… Que horas são? 4h26? Não é possível, agora mesmo eu tinha saído para comprar doces de abóbora para o café da manhã de minha garotinha Lise… Me arruma um cigarro! Esse trompete não me é estranho… Cadê a garrafa de cerveja que estava aqui? Garçom, meu deus! Preciso me lembrar dessa música. Ninguém me ouve. O que será que Lise estará sonhando? Maria deve está agora pensando… Maria? Como você sabe o nome da minha esposa? Porque a luz pisca e quem é mesmo você? Eu sou casado, não posso lhe pagar um drinque… uísque! uísque! Qual o seu nome? Entendi, é bom caminhar pela madrugada pela ponte… Não, estou enganado essa ponte é da minha cidade de infância, não ria de mim, as pessoas se enganam. Quem pediu esse uísque? Você sabe que eu só bebo cerveja, esses garçons já não entendem mais nada, cadê todos? Estão me levando embora, só restou eu e o velho que me trouxe uísque e que me mostra um bastão de madeira e eu não consigo ver onde está o ladrão. Espera, espera um minuto, é Chet Baker…. Chet Baker…  Que sono, vou cochilar até a loja de doces abrir, me espere Lise, papai está voltando!

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A tarde estava com um sol baixo, como que silenciado parcialmente pelo barulho das nuvens que anunciavam as chuvas derradeiras da estação. O som ao redor, por toda a parte. Conversas, vozes, pastilhas de freio, buzinas, aviões. Do que é feito a conclusão? Assim existem sempre um saber que está aí, mas parece que sempre um passo adiante. Corra! O motorista abriu a porta e deixou que o sacolejar guiasse os primeiros passos se pendulando por entre o corredor estreito. Estava ali. Não era uma vaga na janela, mas pelo menos poderia observar de esguelha as montanhas de construções de prédios residenciais, santuários católicos e aglomerados de cômodos pequenos. A senhora, resignada, olhava para a janela e não percebeu que uma borboleta entrou pela estação e girou, girou até repousar sobre a manga da blusa fina que ela carregava sobre os braços. E a viagem seguiu, atravessou e seguiu.  Mas a senhora olhou para o braço e começou a dar alguns tapas na borboleta que só sabia pular, como que s...

Nadar, verbo intransitivo

 Não sei se sei nadar. Já brinquei que nadava em banheiras que se pareciam piscinas. Depois fui me arriscando mais ou fingia que nadava.  Sempre quis saber nadar. Enfrentei redemoinhos de vento bem maiores do que achei que meu pulmão suportaria. Tentei algumas vezes, mas parecia que ainda não queria despregar os pés para mais fundo. Eu não sabia se sabia nadar.  Então fui passando, um dia achei que saber nadar era só nadar, que não era tão difícil, nem perigoso. Enganei-me sem saber se era medo de morrer ou de não saber nadar.   Mas quero nadar.  Hoje ainda quero nadar. A água filtrada me chama, perco. Também continuo perdendo para a correnteza. O frio ainda marca a espinha e a epiderme dolorida de outrora. Náufragos não acreditam em águas mansas. Mas o mar não ensina, insinua.  Nadar à favor da maré baixa antes do preamar.  

O ser e a estupidez

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