Deve
ser pecado pro 9º círculo do inferno de Dante, torcedor dizer que têm dois
times. É impossível alguém não torcer os lábios pra quem diz uma coisa dessas.
Ainda mais duas equipes do mesmo país! Sempre vão olhá-lo como se você não
entendesse o espírito da coisa. Um lunático, um ignorante, só pode ser um
pervertido! Mas tenho que confessar, meu coração também bate por outras cores. Não,
não é que não ame o meu time do coração. Não, eu não quero trocar entende?
Duvido que nunca tenha passado por uma situação
dessas. Ah, nunca soube que trair seu clube de coração é crime inafiançável,
nem o diabo tolera. Que eu procurasse a bíblia ou a constituição, certamente
estaria dentre as cláusulas especiais. Como deixei acontecer? Não sei,
aconteceu sabe, carinho antigo. A culpa foi do meu padrasto que sabendo que eu
já havia selado um compromisso com o alvinegro paulista, me trouxe uma camisa do
tricolor carioca, a qual eu vesti em algumas ocasiões, pela minha pouca idade e
para não desapontá-lo de todo. Por muito tempo, o verde, branco e grená ficou
adormecido, mas agora, não foi minha culpa. Meu time não jogou no meio da
semana, então voltei no tempo torci por algumas horas para o time, que sofreu
um amargo revés no fim da partida. Não tenho culpa se o drama me atrai. Nem que
vire rotina cair nos braços de outro clube, nas noites de ausência do meu.
Domingo, no horário nobre do futebol vestirei o manto alvinegro sem me
preocupar com a dor de outros times e vou até fingir que não vi, quando num
momento de desinteresse do jogo, zapeando pela TV acabe vendo um gol mal
anulado a favor do tricolor e sentir aborrecimento. Talvez seja errado flertar
com a esposa e a amante que disputam um mesmo objetivo. E quando se
enfrentarem? Para qual lado estarei? Tal qual um marido sensato, não vou dar
chance para dúvidas, gritarei Eu nunca vou te abandonar para o timão, mesmo que
vez ou outra, escape de minha boca incentivos ao Nense.
A tarde estava com um sol baixo, como que silenciado parcialmente pelo barulho das nuvens que anunciavam as chuvas derradeiras da estação. O som ao redor, por toda a parte. Conversas, vozes, pastilhas de freio, buzinas, aviões. Do que é feito a conclusão? Assim existem sempre um saber que está aí, mas parece que sempre um passo adiante. Corra! O motorista abriu a porta e deixou que o sacolejar guiasse os primeiros passos se pendulando por entre o corredor estreito. Estava ali. Não era uma vaga na janela, mas pelo menos poderia observar de esguelha as montanhas de construções de prédios residenciais, santuários católicos e aglomerados de cômodos pequenos. A senhora, resignada, olhava para a janela e não percebeu que uma borboleta entrou pela estação e girou, girou até repousar sobre a manga da blusa fina que ela carregava sobre os braços. E a viagem seguiu, atravessou e seguiu. Mas a senhora olhou para o braço e começou a dar alguns tapas na borboleta que só sabia pular, como que s...
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