Eu não sabia, mas aquela seria a última vez que eu poderia tocar a minha boca, lábios e língua nas bordas e no interior do seu cu. Estávamos ainda no nosso primeiro encontro e jamais passou pela minha cabeça que passaríamos de beijos rápidos e abraços soltos. Mentira, sempre passou pela minha cabeça que iríamos chegar a esse caminho, talvez porque sempre passe essas coisas na cabeça de alguém obcecado como eu. Mas entre o que passa na imaginação ao que ocorre e afeta nossos sentidos há um grande abismo. Não houve. Começamos a falar de Dostoiévski e Goethe, tentando chegar a algum consenso de quem estaria no mais alto lugar do cânone literário. Não chegamos. Também ficamos a implicar um com o outro em quem era o maior poeta da língua portuguesa, pra mim só poderia ter um nome, Drummond. Ela primeiro disse que havia vários, João Cabral de Melo Neto e outros nomes de poetisas menores que não me lembro. Depois me jogou um livro da Ana Cristina César nas mãos e me disse: "Eis a m...
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